A minha lista dos melhores de 2025
- Eduardo de Assis

- 13 de jan.
- 7 min de leitura
Um ano de surpresas e viradas

Eu vejo 2025 como um ano de virada para a indústria em geral. Como já discutimos aqui no site em um belo episódio do NVerso, estamos vivendo um período de mudanças nos consoles. Vemos Xbox e PlayStation mudando de rumo, focando em serviços e hardware, respectivamente. Além disso, a Valve, após o sucesso do Steam Deck, anunciou seu console de mesa, o Steam Machine.
Já pelo lado dos jogos, vemos uma queda na apreciação e também na quantidade de lançamentos triplo A. Usando um termômetro suspeito, mas útil, basta olhar a lista dos jogos concorrendo a Jogo do Ano no The Game Awards (TGA) de 2025. Dos seis indicados, três são triplo A, enquanto a outra metade é composta por jogos independentes ou duplo A, como é o caso do vencedor Clair Obscur: Expedition 33.
E isso tende a virar regra daqui para frente: jogos triplo A se tornarão cada vez mais raros, enquanto veremos produções de menor investimento surgindo em maior quantidade.
O que eu acho disso? Ótimo!
Jogos de grande investimento inovam cada vez menos, se prendem a fórmulas seguras e, por algum motivo, ficam cada vez mais longos. Por experiência própria, iniciar um jogo triplo A com uma duração muito extensa se torna uma decisão cada vez mais difícil de tomar.
Mas enfim… e a lista?
Em 2025, consegui manter um pequeno fio no meu BlueSky com os jogos que terminei ao longo do ano. Todos os jogos que joguei estão lá, mas nem todos aparecerão neste texto. Vale sempre reforçar que esta é uma lista pessoal, composta apenas pelos jogos que EU TERMINEI em 2025.
Melhor jogo que eu larguei – Death Stranding 2: On the Beach (2025)

Hideo Kojima veio mais uma vez nos trazer o seu gene criativo em forma de videogame. Death Stranding 2 é uma clara evolução mecânica e, ao mesmo tempo, um jogo com bem menos fricção do que seu antecessor. Não posso dizer que é um jogo ruim: minhas 50 horas de entregas e de construção de estradas foram muito divertidas.
O grande problema está na história e no seu protagonista. Ainda mais do que no primeiro jogo, Sam Porter Bridges é um claro exemplo de como subutilizar um ator em uma obra. Norman Reedus entrega um protagonista quase mudo e completamente perdido, o que não conversa em nada com a narrativa, que tenta puxar um lado mais sentimental do personagem.
Tive muita dificuldade em enxergar motivos para o protagonismo de Sam, já que Fragile (Léa Seydoux) tem muito mais ação na história e, em grande parte do tempo, isso acontece fora da tela.
Por fim, Hideo Kojima demonstra claramente que ainda não superou o seu ex. O jogo está repleto de referências à saga Metal Gear como um todo, desde momentos de ação muito parecidos até frases gratuitas que remetem à franquia da Konami. O jogo conta até com a sua própria versão de Solid Snake, interpretado por Luca Marinelli.
Tudo bem, Kojima, eu também estou com saudade do seu ex.
8º – Metal Gear Solid Delta: Snake Eater (2025)

Falando em ex…
Em 2025 saiu o remake de Metal Gear Solid 3: Snake Eater, considerado por muitos fãs da franquia o melhor título da série. Eu, pessoalmente, concordo, já que é o jogo mais equilibrado em relação à qualidade da história e do gameplay.
Mas este remake tem apenas um objetivo: servir como um termômetro da popularidade da franquia. O jogo é, essencialmente, um grande remaster gráfico, com atualização dos controles para os padrões atuais.
O que mais me surpreendeu foi como a história se sustenta até os dias de hoje. Metal Gear Solid 3 continua sendo um excelente thriller de espionagem à la James Bond, com aquela pitada de “kojimice” na medida certa.
Caso você nunca tenha jogado, esta é uma excelente oportunidade para conhecer esse clássico.
7º – Digimon

Para mim, uma das maiores surpresas do ano foi redescobrir minha relação com a franquia Digimon. Lembro de assistir e gostar do anime lá no começo dos anos 2000 e meio que parar por aí. Durante a minha jornada em Digimon Story: Time Stranger, fui relembrando o quanto eu amava esses bichinhos. A cada nova evolução que eu fazia, o sentimento de nostalgia só aumentava.
Sobre o jogo em si, ele é um JRPG bem seguro, que apenas moderniza o que é um combate por turnos nos dias de hoje. Tive algumas poucas barreiras no começo do jogo, mas logo atropelei o restante da campanha.
O jogo também abriu um novo mundo para mim. Eu nunca tinha jogado os jogos de Digimon e agora vejo que tenho uma nova gama de títulos para explorar e conhecer.
6º – Doom (2016)

Sim, em 2025 consegui finalmente tirar algo do meu backlog.
O jogo beira a perfeição, com um ritmo excelente, trilha sonora marcante e um tempo de duração na medida.
Um dos meus objetivos para 2026 é jogar o seu sucessor, Doom Eternal (2020).
5º – Teleforum (2023)

Teleforum foi uma grata surpresa em 2025. Em busca de jogos mais narrativos para jogar no Steam Deck, deitado na cama, acabei chegando nesse jogo brasileiro e gratuito.
Além da temática de repórter televisivo (que conversa muito comigo), o jogo constrói um clima de suspense e terror na medida certa.
Eu digo apenas: deem uma chance!
4º – Au Revoir (2025)

Pense em um jogo charmoso: Au Revoir consegue misturar uma estética poligonal, no melhor estilo do PS1, com um point and click de investigação. Um belíssimo jogo brasileiro que se passa em um futuro cyberpunk, em que os ricos conseguem transportar sua consciência após a morte do corpo para um novo receptáculo — e cabe a você fazer esse trabalho.
Esse foi aquele tipo de jogo que você começa “só para ver do que se trata” e só se levanta quando termina.
3º – Arc Raiders (2025)

O jogo de tiro do momento conseguiu me fisgar e entregar aquilo que eu procurei por muito tempo em um jogo multiplayer.
Jogos multiplayer de tiro mais tradicionais, como Call of Duty e Battlefield, costumam não ter tanto peso na falha e no momento a momento da partida. Você sabe que, caso algo dê errado, em alguns segundos você vai “respawnar”. O que não acontece em um extraction shooter.
Arc Raiders me trouxe sentimentos de angústia e alívio em várias partidas. Encontrar os itens de que você mais precisava e ter que sobreviver a possíveis ataques de outros players e de máquinas controladas por IA (literalmente) até a extração me fez suar sentado na frente do computador, junto com o calor apocalíptico em que vivemos.
Outro ponto importante é a saúde do seu modelo de negócio. Ele aparenta ser um jogo como serviço que aprendeu com os erros e acertos de outros títulos recentes e que, aparentemente, pode ter uma vida longa.
Arc Raiders, sem dúvidas, é o extraction shooter mais amigável e acessível para entender e entrar no gênero.
2º – Mouthwashing (2024)

Mouthwashing foi o primeiro jogo que terminei em 2025 e simplesmente não deixei de pensar nele desde então. Em uma experiência de cerca de duas horas, o jogo apresenta uma das melhores narrativas que eu já vivenciei em um videogame.
Uma história, duas perspectivas e uma série de desgraças.
Decepção do ano – Silent Hill f

Nem nos meus sonhos mais doidos eu imaginava que teríamos um Silent Hill novo bem no dia do meu aniversário, mas…
A verdade é que Silent Hill f é um excelente jogo em vários aspectos: história, ambientação e interpretação. Hinako, inclusive, é uma das melhores protagonistas da franquia. O problema é que o combate e a sua estrutura extremamente linear conseguiram me tirar do sério.
Como apreciador de um bom souls-like, senti que o combate não favorece o clima do jogo, além da enorme quantidade de confrontos obrigatórios que ele impõe, fugindo bastante da proposta de um terror de sobrevivência.
Para mim, uma versão ideal de Silent Hill f se aproximaria mais de um walking simulator, com um susto aqui e ali e foco em puzzles.
Ainda assim, garanto que você pode ter uma experiência melhor do que a minha. Algum tempo após o lançamento, o jogo recebeu uma atualização que adicionou uma nova dificuldade, com menos confrontos obrigatórios, e acredito que isso deva melhorar bastante o ritmo.
Apesar da decepção com o jogo, sigo empolgado com a direção que a Konami tem dado às suas franquias.
Surpresa do ano – Hell is Us

Motivos para jogar Hell is Us:
- É um excelente jogo de puzzles, com combate souls-like
- Sua exploração lembra bastante o primeiro Dark Souls
- É uma joia de 2025 esquecida no churrasco porque teve o azar de lançar no mesmo dia que Hollow Knight: Silksong
Apenas vá e dê uma chance ao jogo!
Jogo do ano – Clair Obscur: Expedition 33

Eu admito que não tenho muito o que acrescentar; sinto que praticamente tudo já foi dito sobre esse jogo. Ainda assim, fiquei muito feliz em ver um título inovando e fazendo sucesso sendo um RPG de combate por turnos.
O que me desanima são os discursos de “finalmente um novo jogo por turnos bom”, como se, todo ano, estúdios japoneses não lançassem jogos excelentes. Um exemplo recente disso foi Metaphor: ReFantazio e Like a Dragon: Infinite Wealth, ambos lançados em 2024. Essa leitura de que um estúdio ocidental “trouxe de volta” o gênero é, sinceramente, uma das coisas mais patéticas que já li.
Apesar dessas polêmicas, o jogo consegue brilhar em praticamente todos os seus aspectos: direção de arte, trilha sonora, história e personagens marcantes… na verdade, alguns mais do que outros.
Eu espero que as pessoas tenham curiosidade e busquem outros jogos do gênero. Já está mais do que na hora de deixar essa ideia de jogo por turnos como algo ultrapassado.






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