Survival Horror além de Resident Evil
- Eduardo de Assis
- há 2 horas
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Com a chegada do novo jogo da franquia da Capcom, conheça outros títulos do gênero de terror de sobrevivência.

O survival horror (terror de sobrevivência) é um dos gêneros mais frutíferos dos videogames na atualidade. Novos jogos do gênero são lançados mensalmente, em diferentes escopos, sejam independentes ou até mesmo triplo A.
Mas franquias tradicionais como Resident Evil e Silent Hill acabam encobrindo outros jogos do gênero, e a ideia aqui é justamente apresentar títulos que vão além dessas duas gigantes.
Origem

O primeiro jogo que se encaixa na “caixinha” do que caracteriza um survival horror é Alone in the Dark (1992). O clássico lovecraftiano da Infogrames é uma das maiores influências para os títulos que vieram depois. Nele, já encontramos elementos que considero essenciais para o gênero: exploração, puzzles e combate cadenciado. A camada de mistério, a tensão e o sentimento de “pra onde eu vou?” ou “como eu abro esta porta?” precisam estar presentes.
Se Alone in the Dark é o avô, Resident Evil (1996) é o pai do gênero. Com o lançamento do clássico de PlayStation 1 pela Capcom e o seu enorme sucesso, praticamente todas as grandes empresas de videogame dos anos 90 passaram a desenvolver seus próprios jogos dentro do gênero.
A partir da consolidação do survival horror, podemos dividi-lo em três eras.
Era de Ouro (1996–2004)
Contemplando as gerações do PlayStation 1 e 2, é complicado fugir de Resident Evil e Silent Hill, mas existem alguns títulos que também merecem a sua atenção.
Parasite Eve (1998)

A Square Enix se aventurou no gênero e criou um jogo com identidade própria. Conhecida pelos RPGs, a empresa ousou ao misturar combate por turnos com terror de sobrevivência.
O jogo é uma continuação do livro de mesmo nome, escrito por Hideaki Sena. Nele, acompanhamos Aya Brea, uma policial que vivencia um evento bizarro durante uma apresentação no Carnegie Hall. Durante uma ópera, a plateia entra em combustão espontânea, dando início a uma investigação policial por Nova York.
A trilha sonora é assinada pela lendária compositora japonesa Yoko Shimomura. O jogo está disponível apenas para PS1.
Siren (2003)

Após criar Silent Hill, Keiichiro Toyama se juntou à Sony, e dessa parceria nasceu Siren. Lançado originalmente para PlayStation 2, o jogo se passa na cidade de Hanuda e coloca o jogador no controle de dez sobreviventes que tentam fugir de seus moradores, conhecidos como Shibitos.
O jogo inova na sua estrutura: a cada capítulo, controlamos um personagem, e as ações realizadas impactam diretamente a história dos outros sobreviventes, uma espécie de efeito borboleta jogável.
O jogo está disponível para PS2 e PS4. Ele também ganhou um remake para PS3, chamado Siren: Blood Curse, lançado em 2008.
Era da Ação (2005–2016)
Pós Resident Evil 4 (2005), a ação se tornou cada vez mais presente no survival horror. Os jogos lançados nesse período deixaram de lado o ritmo mais lento do combate e se aproximaram de uma proposta mais frenética.
Não é à toa que, nesse mesmo intervalo, jogos como Call of Duty e Gears of War estavam entre os mais populares da época. Ainda assim, essa mudança de ritmo nos jogos de terror não foi uma regra absoluta, mas sim uma forte tendência do período.
Condemned: Criminal Origins (2005)

Esse é um jogo pouco conhecido de maneira geral e que ficou preso no Xbox 360 por um bom tempo. Produzido pela Monolith Productions e publicado pela Sega, é um título com uma identidade bem única. Nele, controlamos Ethan Thomas, um agente do FBI em busca de um serial killer em uma cidade tomada pela violência e corrupção.
O jogo tem uma vibe muito próxima de Seven: Os Sete Crimes Capitais, de David Fincher. No combate, em primeira pessoa, o foco está na ação melee, com armas brancas, e apenas raramente com armas de fogo.
O jogo está disponível nos consoles Xbox via retrocompatibilidade e também para PC.
Alien: Isolation (2014)

Esse é um dos casos raros em que um jogo baseado em filme funciona... e funciona muito bem. Mais do que apenas utilizar elementos e personagens das telonas, é preciso entender o universo e traduzir aquilo que torna a franquia Alien única para a mídia dos videogames.
Em 2014, com uma história original, a Creative Assembly enxergou o potencial desse universo e criou uma experiência única. Pegando mecânicas de jogos de terror da época, como Amnesia e Outlast, o estúdio conseguiu ir além da simples fuga, construindo ferramentas que permitem também criar armadilhas e formas de defesa. Não adianta tentar vencer o Xenomorfo na força: é preciso ser esperto e estar sempre um passo à frente.
Alien: Isolation está disponível para PC, PS3, PS4, Xbox 360, Xbox One e Nintendo Switch.
Era do RE:nascimento (2017 – Atualmente)
Assim como na origem e no período anterior, a franquia Resident Evil sempre pauta as mudanças do gênero e agora não seria diferente.
O lançamento e o sucesso de Resident Evil 7: Biohazard (2017) abriram portas para uma nova onda de jogos de terror de sobrevivência e, desta vez, voltamos a um ritmo mais lento e aterrorizante, como nos clássicos. Os indies, que já vinham ganhando espaço, se tornam protagonistas nos dias de hoje.
Tormented Souls (2021)

Jogo independente chileno, desenvolvido pela Dual Effect. Nele, controlamos Carolina Walker, uma protagonista que recebe uma carta misteriosa sobre duas garotas e acaba caindo em uma armadilha no hospital Wildberger. Como em um bom Resident Evil clássico, ficamos presos em uma “mansão” enorme, repleta de puzzles e mistérios.
Tormented Souls consegue executar com maestria aquilo que tornou Resident Evil tão especial: um level design excelente, que instiga a curiosidade a cada passo e a cada nova sala explorada.
Tormented Souls está disponível para PC, PS4, PS5, Xbox One, Xbox Series e Nintendo Switch.
Signalis (2022)

O jogo alemão, desenvolvido pela rose-engine, é praticamente a definição do charme dos anos 90. Além das influências óbvias de Resident Evil e Silent Hill, suas decisões artísticas também remetem a Evangelion e Metal Gear Solid.
No jogo, controlamos Elster, uma replicante que acorda após a queda de sua nave. A partir daí, ela inicia a busca pela piloto desaparecida, enquanto precisa sobreviver à corrupção que se espalhou por toda a tripulação. Em corredores estreitos e com um inventário extremamente limitado, cabe a você resolver puzzles e sobreviver a essa jornada.
Signalis está disponível para PC, PS4, Xbox One e Nintendo Switch.
Dead Space Remake (2023)

O período contemporâneo do survival horror está repleto de remakes de diversos jogos. Entre 2019 e 2024, tivemos três remakes de Resident Evil (2, 3 e 4), além de Silent Hill 2. Outras franquias também seguiram essa tendência, como é o caso de Dead Space.
O remake do primeiro jogo da franquia, desenvolvido pela Motive, é um dos exemplos que realmente melhoram o material original, trazendo avanços significativos e boas melhorias de qualidade de vida. Por um tempo, existiu a expectativa de que a franquia iria retornar com força, mas o jogo não teve o desempenho financeiro esperado pela EA, e novos projetos acabaram sendo cancelados.
É um título que acabou ficando meio esquecido, muito por conta de uma recepção mais fria do público, mas que vale bastante a pena.
Dead Space Remake está disponível para PC, PS5 e Xbox Series.
Há três décadas, o survival horror apresenta uma variedade impressionante de mecânicas e narrativas a cada novo lançamento. Com um passado tão rico a ser explorado, mal posso esperar pelo futuro promissor do meu gênero favorito.

